Nexo provisório é fazer sentido num momento e no seguinte não. É mudar. É evoluir, é regredir. É não se prender a um momento, mas saber que foi importante. É saber que ele não precisa fazer sentido, precisa ser sentido.
quinta-feira, 22 de março de 2012
A Caixa
Até que você apareceu e achou minha caixa velha e surrada.
Limpaste-a, lustrou-a e poliu suas correntes e cadeados que nunca tentastes tirar. Afinal sempre estiveram lá não havia motivos para supor que ainda havia chaves capazes de abri-las.
Elas existem e estão como novas, minto estão acabadas, mas não esquecidas. Ainda servem a seu propósito de proteger meu coração que você pegou sem saber e cuidaste tão bem sem nenhuma ideia ter do conteúdo da caixa.
Cogitei a ideia de te entregar as chaves de maneiras anônimas, pequenos presentes. Mas tendo medo do que irás encontrar dentro da minha caixa e principalmente o que farás com seu conteúdo. Jogarias fora, devolveria para a caixa, cuidaria dele, usaria-o para adornar sua mesa? Tanto faz. Não o farei, não agora.
Obrigada por cuidar e continuar cuidando do meu coração mesmo que por acidente. Quem sabe um dia quando estiveres disponível e eu ganhar coragem não me apresento e te presenteie com as chaves do meu peito.
Mas engraçado como invadistes meus pensamentos, bagunçando-os, infligindo em mim sonhos ao teu lado, onde "Nós" é mais do que apenas eu e você.
Não é justo possuíres meu coração e invadires minha psique e não ter a mínima noção
de tal feito heróico.
Derrubastes todas minhas barreiras e infiltraste-se em mim sem talvez ter desejo de ficar e se estabelecer. Mas tua marca ali estará gravada em sua letrinha de menina romântica na tampa da minha caixa como uma etiqueta de propriedade.
domingo, 18 de março de 2012
Sobre amores repentinos, intensos e passageiros.
Mariana chegou atrasada e se sentou na cadeira vazia próxima ao interessantíssimo - até então - desconhecido Matheus.
Dez minutos bastaram: ela estava apaixonada. Como foi doce a noite em que conheceu Matheus!
Os dois conversaram e se deram tão bem que ela não pôde entender como pensou amar outro alguém. E sabia que ele gostara dela. Cada troca de olhares e cada um dos sorrisos só a encantavam mais e mais.
Dizer adeus doeu, mas foi uma dor doce. Quase como aquele momento em que se acorda mas o sonho ainda parece possível.
Ir para casa foi irreal, tudo parecia igual quando nada dentro dela o era.
Dormir foi impossível. Mariana dançava pelo quarto em silêncio, escrevia finais felizes para eles, fazia rimas de amor. Ela sabia que os dois funcionariam juntos, toda a pizzaria em que se encontraram testemunhara que sim.
Toda a semana que se seguiu foi um misto de saudade e doçura que se recusava a desaparecer da vida da menina.
E todo o ano seguinte foi como deveria ser: sem Matheus, sem encontros inesperados, sem corações exaltados por causa dele. O amor tão forte não tinha espaço na vida cotidiana, pertencia a uma noite perfeita.
E Mariana seguiu sem outros amores de uma noite só, seguiu e cresceu. Ser adulta não combinava com esses amores.
Mas, ah! Como foi doce a noite em que conheceu Matheus!
terça-feira, 13 de março de 2012
Minha pressa e minha prece.
Ver você. Tão lindo, tão diferente, tão seu (quando deveria ser meu).
Ver você. Meu coração disparado, minhas mãos suadas, o tempo parado.
Ver você. Você sorriu, conversamos por dez minutos (enquanto eu queria tão mais!), você se foi. E continuou dono do seu coração, enquanto se transformava em dono do meu (que ainda grita "Ame-me!").
segunda-feira, 12 de março de 2012
O beijo.
Um beijo mudou duas vidas inteiras.
Ele era todo fumaça. Outrora amigo, mudou sua natureza por ela.
Ela era fogo: não podia ser detida. Por isso ele se tornou um vestígio de tudo que poderiam ser: apenas o rastro dela; enquanto ela seguia em frente, destruindo, queimando.
Ele era alarde, era um indício de coisas melhores, mas ela preferia observar à distância, apreciar imagens embaçadas de outra vida.
Aquela menina era cruel, misteriosa, difícil. Possuía um coração partido que, justamente por estar partido, não sabia mais sentir. Tinha olhos escuros, bondosos e enganadores. Tinha um próprio universo. Era tão única que ele se perdeu em seus rodamoinhos de idéias e caiu de amores por ela.
Aquele menino não é mais o mesmo. Não é feliz, não faz o que costumava. Ainda não esquece por um minuto sequer aqueles olhos de Medusa que ela tem. E ela segue impiedosa. É mais que fogo - desejo e calor. É água. É uma torrente fria e forte. Nada a impede de ir, deixando tudo para trás, carregando os corações que quebrou pelo caminho.
Soneto de um Marujo

Em minha caravela perdida nos sete mares
A mercê de tempestades
Tento quase em vão ficar acima do mar
Enquanto ele tenta me tragar.
Me recuso a naufragar
A nadar, nadar e nem na areia chegar.
Rezo para Posseidon, Neptuno (quem ele hoje for) para me salvar
Não perecerei no mar.
Caso venha a esvaecer
Na mão das sereias há de ser
Com suas belas vozes me embalando
Escondendo suas verdadeiras formas, me velando.
Me seduzindo para seus braços
Onde morreria em seus abraços.
sexta-feira, 9 de março de 2012

Percebo querer mais. Adoro o que já temos, as longas conversas, os beijos doces, as coisas em comum, as diferenças de opinião, mais conversas, assuntos infinitos. Mas quero mais.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Carta aos Amantes III

Não sintas mais essa dor meu amor pois estou próxima a ti em alma e pensamento.
Sei que não posso estar aí a teu lado, apesar de nosso desejo, mas quero que saibas que como tenho a certeza que o sol brilhará em toda manhã, também sei que voltarei para seus braços, seus beijos, meu amor.
Mas até lá, quero que quando a saudade apertar em seu peito, como aperta o meu agora,apenas olhe a lua lá fora. Eu lhe prometo, lhe juro que será a mesma lua que verei de minha janela toda noite antes de dormir.
Querida, assim que como o sol e a lua se amam nós nos amammos também. Apesar de todo o desencontro até eles se reencontram; mesmo não se vendo sempre, o amor deles só se fortalece, como o nosso.
Com todo o amor do mundo,
Amanda Kali Andrade
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