Sempre pequei pelo exagero. As sensações transbordam em mim, tudo que faço é com total entrega. Prefiro me manter quase que verborrágica a tentar me fechar para o mundo.
A visão que tenho dele também beira ao exagero : para mim, ele é grande - tão absurdamente grande! - e não importa se sou o centro ou uma simples coadjuvante, tudo parece tão extenso e o único limite entre minha individualidade e a energia que flui livre ao meu redor é aquilo que escrevo.
Nem mesmo posso explicar o porquê de escrever: em parte, para provar que realmente existi em algum momento. Em parte, pela necessidade de arrancar as idéias de cima de mim, elas me sufocam, me desesperam, me inundam. Na maior parte do tempo, pelo prazer da palavra escrita, prazer esse sempre tão doce, tão profundo.
Quero o prazer em tudo, como bom espécime exagerado da raça humana que sou. Procuro beleza: em mim, nos outros, nas coisas, nas tentativas frustradas.
Necessito. Sempre necessito. Tenho fome de conhecimento, de cultura, de amor, de dor. Sinto vontade de me encontrar e então me perder.
E por falar em perder, cá estou eu, perdida nesse mar tantas vezes navegado, em minha mente.
E as palavras fluem livres. Ou seria a energia do mundo? Ou seriam minhas idéias? Ou seria eu?
Procuro a instabilidade e as dúvidas. Porque não quero o conforto. Quero a poesia. Quero o desespero. Quero a felicidade sublime. Quero a liberdade.
E que venham a prolixidade e o exagero. Estou de portas e braços e mente abertos para eles, para mim, para o Todo e para as partes. Ah, o Exagero!
Nexo provisório é fazer sentido num momento e no seguinte não. É mudar. É evoluir, é regredir. É não se prender a um momento, mas saber que foi importante. É saber que ele não precisa fazer sentido, precisa ser sentido.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Autorretrato
domingo, 8 de abril de 2012
Ao Nosso Começo (ou ao que espero que seja)
Eu poderia ter virado as costas, não ter conversado contigo e ainda estaria em uma posição confortável. Mas não fiz isso.
Foi um gesto impensado, mas quem poderia prever o que aconteceria a seguir? De que forma eu poderia adivinhar que você revelaria ser alguém tão inteligente e gentil? E que, além de se tornar mais bonito a cada dia, você pareceria tão certo dentro da minha vida torta?
Antes de abrir espaço para você nos meus dias, acreditei que estava no caminho certo, que eventualmente viria a me apaixonar por determinado rapaz, e, sem sequer pensar, acabei me jogando de cabeça nessa situação. Porque meus pensamentos ingênuos me perguntavam que mal poderia haver em mais um amigo.
Claro que, quando te conheci, vi que era bonito e que um "nós" não seria nem um pouco ruim, mas a convivência me mostrou mais de você do que eu imaginava existir. E agora me pego olhando na sua direção enquanto imagino se você poderia pensar em mim de outra maneira.
Não digo que me apaixonei. Tenho dúvidas quanto a isso, já que, quando você está longe, quase me esqueço desse sentimento que tem se aflorado em mim. Por outro lado, quando você chega - e eu nem sequer tento me enganar, estou sempre esperando - , uma certeza de que você me faria feliz se instala dentro da minha cabeça.
Sei que misturei as coisas e sou a única que se sente assim, mas não me arrependo: só por saber que existe aquele que se infiltra em meus pensamentos e deixa tudo tão mais bonito (porque reflete seu jeito), eu ignoro os pesares de gostar de você como comecei a fazer e dou graças ao que quer que tenha me permitido te encontrar.
sábado, 7 de abril de 2012
Julieta
Pegue seu carro, vamos sair desse lugar. Ninguém esteve tão fundo em meus sentimentos, não devemos a ninguém. Nós dois podemos fugir.
Então pegue seu carro e dirija. Em frente, em frente, em frente. Não liguemos se surgirem curvas ou desvios. Escaparemos com vida (vida é ter você ao meu lado).
Eles não sabem da verdade, não sabem que seu nome não faz diferença, uma rosa teria o mesmo perfume se não fosse chamada assim. Eles não sabem que só vejo você.
Continuaremos a correr, não precisamos voltar. Em frente!
Então nós dois conseguimos. Tão longe de casa, tão perto do "felizes para sempre".
Mas, ouça!, são eles! Nossos pais, nossos futuros, nossos fantasmas. Querem nos separar. Estamos encurralados nesse quarto escuro!
Então pegue seu punhal e me atinja. Nenhuma morte seria mais doce. Beba desse veneno, então. Mantenha-o em seus lábios. Beije-me. Em frente agora, meu amor.
Numquam
Se eu disser que nunca me arrependi estarei mentindo.
Se eu disser que nunca quis estarei mentindo.
Mas nunca duvide do quanto te amei.
Nunca duvide de que nunca a esquecerei.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sobre o mesmo par de olhos verdes
Seus olhos verdes ainda parecem tão bonitos quanto pareciam àquela menina que outrora fui. Vê-los tão inesperadamente fez meu coração se agitar muito mais do que imaginei que aconteceria. Não que eles tenham dado qualquer sinal de reconhecimento.
Em todos os três segundos e meio em que olhei para eles, as memórias surgiram. A lembrança do ritmo dos nossos corações que batiam em sincronia, da textura dos seus cabelos, do calor dos seus abraços, do formato das suas mãos. A lembrança da sensação de amar tão intensamente. Tudo de volta em um espaço de tempo tão pequeno.
Você me conhece bem para adivinhar que meus pés pararam de obedecer à minha cabeça - que permanecia virada para tentar te ver melhor - e tropeçaram em coisas inimagináveis. Também me conhece o suficiente para concluir que eu escreveria sobre nosso (rápido) encontro; sei que teria previsto o texto e meus sentimentos conturbados caso seus olhos me reconhecessem. Sei que entenderia o quanto senti sua falta.
Acho que eu devia simplesmente aceitar que, não importa quão magnífico ele pareça, seu olhar nunca vai cruzar com o meu e desejar repetir nossos erros. Porque eu sei - eu sempre soube - que nós dois éramos apenas erros. E, como você, eu não quero voltar. O que nós tivemos acabou, nossos sentimentos acabaram de forma quase indolor. Mas são seus olhos que me fizeram esquecer que não te amo mais e que provavelmente nunca mais seria capaz de fazê-lo. Meu mal, sempre foram seus olhos que me enganaram.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Análise de Um Sonho e Flocos de Neve
O que são sonhos? Desejos do fundo do seu coração, lembranças, influencias reordenadas do seu subconsciente?
Na verdade não importa o que eles são. Se eles são felizes, estranhos, egoístas,complexos, dadaistas, cópias, sensoriais, recorrentes ou em estrofes. O que importa é que os tenhamos e melhor ainda, que eles se tornem realidade.
Hoje eu tive um sonho muito aleatório, com personagens fantásticos, complexos que tenho o orgulho de admitir existem no mundo real. Até aí tudo bem, acontece com todos sonhar com coisas do seu dia-a-dia,mas o que me surpreendeu foi a vivacidade desse. Eu nunca tinha me sentido tão viva, tão parte de algo como nesse sonho. Quem dera tivesse sido real. Quer dizer, ele foi real ali, naquele momento em que estava dormindo. Mas foi tão real quanto as palavras aqui escritas, quanto as teclas em baixo dos meus dedos ao digitar. Foi um sonho completo, gostoso de sonhar. Não explorei lugares inimagináveis, não lutei com heróis ou dragões, não conheci seres fantásticos que habitam tantos livros que li. Não voava, não falava em línguas mágicas, não era nada especial. Era simplesmente eu, sem tirar nem por. Minhas falhas, meus méritos, minhas manias. Os meus companheiros não eram tão bem formados, mas diria serem copias dignas dos originais. O tempo era frio, chuvoso, quase a ponto de nevar, mas até onde fui não caiu nem um floquinho de neve. Era noite, noite vagabunda dessas onde não há nada para se fazer além de sair, conhece-la. Era uma noite infantil, plácida. Comparo-a a um rio congelado. Calmo e firme por fora, mas por dentro suas águas ainda correm, apenas de maneira mais silenciosa. Havia uma tensão no ar contagiante. Como se o mundo todo estivesse prendendo a respiração a espera de algo grandioso e magnífico. Foi um sonho em cores e sons. Mas se eu fosse torna-lo um filme colocaria-o em preto e branco para aumentar a dramaticidade, talvez reduziria os sons também. Deixasse somente os ruídos dos meus passos ao caminhar, dos copos batendo na mesa e uma musica de fundo. Diálogos seriam travados entre eu e uma segunda pessoa que estaria nas sombras, não veríamos seu rosto,apenas seus pés, mãos, uns olhares com closes da camera e em alguns momentos relances do que poderia ser. Esses diálogos transcorreriam com gestos, com olhares e com mudanças da musica de fundo. Efeitos especiais inexistentes, no máximo talvez colocasse o tal floco de neve, que nunca caiu, no final dos créditos. Meu set de filmagem seria uma rua a noite e pronto. Nem figuração seria necessária.
Talvez fosse pretensioso de mais de minha parte imaginar esse sonho tão simples e cotidiano como digno de um Urso, de uma Palma de Ouro ou de qualquer outra estatueta. Mas sonhar não custa nada, então sonharei com isso também.
Desse sonho o que mais gostei foi da intimidade retratada através de um diálogo. Do como estava confortável para simplesmente me abrir com alguém. Falar dos meus medos, anseios, falar de meias por que não?
Era tão aconchegante tal atmosfera por mim criada, sem saber, que quando acordei senti falta. Foi como se não estivesse pronta para sair daquela rua, encerrar aquela conversa ou nunca chegar a descobrir se ia nevar ou não. Sim, colocaria o bendito floco de neve para pelo menos dar uma sensação de conclusão, de dever cumprido.
Seria um curta pois quão longo poderia ser esse filme? Até para mim foi um curta metragem, mesmo sabendo que sonhei 120 minutos aproximadamente. Para vocês verem tamanha era a quantidade de detalhes.
Perdoem me, divaguei tanto sobre tal sonho que me peguei sonhando de olhos abertos, coisa bem comum para minha pessoa. Quando não estou sonhando estou pensando no que sonhei.
Sonhos são minha realidade particular, meu mundo idealmente errado, ao contrário.Perfeitamente imperfeito, mas sem neve aparentemente. Uma pena.
domingo, 1 de abril de 2012
Acontece
Assim é como começa: você chega em casa sorrindo. O dia seguinte parece muito distante. Seu braço ainda parece formigar onde ele te tocou.
Vocês se encontram e você se pergunta como não o achava bonito. Ele sorri e até os dentes tortos parecem muito charmosos.
Não, é claro que você ainda não se apaixonou. Isso só acontece quando ele fala de filmes europeus. Sim, acontece com todas nós.
Então vocês se aproximam. O suficiente para que ele não saia mais da sua cabeça. As conversas tão inteligentes te mantêm acordada durante as noites e todas as músicas de amor parecem escritas especialmente para você - como seria diferente?
E as coisas permanecem assim, um misto de doçura e angústia. Até que ele se apaixona. Não, não por você. Por um pessoa tão inteligente e sensível quanto ele. Por uma pessoa interessante e engraçada, de quem você nem consegue sentir qualquer mágoa: um rapaz tão especial quanto ele.
Não se preocupe, acontece com todas nós.