Nexo provisório é fazer sentido num momento e no seguinte não. É mudar. É evoluir, é regredir. É não se prender a um momento, mas saber que foi importante. É saber que ele não precisa fazer sentido, precisa ser sentido.
sábado, 24 de novembro de 2012
Hedônismo Hostil
Vazio completo
Uma eterna solidão
Tomada a cada dia com sofreguidão
Tomada em copo de ouro
Em benevolente servidão.
A Derradeira
Nunca a primeira escolha
Nunca alguém para se recordar
Nunca , nem mesmo para si mesma.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Outra Última Vez
Eu me encontrei, mais uma vez, em frente à sua porta. Pedindo um pouco de atenção, pedindo que aceitasse as palavras que escrevi sobre você durante cinco longos anos. Cá estou eu, na sua porta, na sua frente, pedindo mais uma vez para entrar.
Mesmo que eu saiba (e sei bem demais) como é ficar do lado de fora, continuo batendo. E sempre me prometo que essa é a última vez. E sempre acabo voltando. E me recuso a aceitar que essa é realmente a última vez, porque escrever sobre você parece tão certo nessa minha vida torta.
Entenda, não estou pedindo amor. Não estou pedindo que cuide do meu coração. Eu só quero poder entrar mais uma vez, ficar - quem sabe? -, escrever sobre você. Se não for incômodo me receber mais uma vez.
Mas eu não quero ser hóspede na sua vida. Também não preciso morar nela. Eu só quero existir nesse universo tão seu. Vou fazer meu melhor para não atrapalhar. Essa é a última vez que venho até sua porta e peço isso, digo para mim mesma. Porém, nós dois sabemos, todas as vezes que eu olhar nos seus olhos vou me convencer a voltar e pedir só mais uma vez.
Então vamos nos poupar de todo esse drama. Só me deixe entrar. E, se você quiser que eu fique, essa vai ser a última vez que te peço.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Revanche
Eu vou queimar a casa em que você mora. Vou roubar sua coleção de discos. Vou arranhar as portas do seu carro.
Vou pegar cada livro seu e deixar dentro uma foto nossa para você se lembrar de como era comigo. Vou rasgar cada foto sua com ela. Vou deixar minhas roupas dentro do seu armário e te fazer se lembrar de mim todas as manhãs.
Meu bem, ambos sabemos que estou mentindo. Fui para não voltar. Arranquei de mim todo o vestígio de sentimento que cultivei por você. Mas ainda assim eu vou me transformar no seu pior pesadelo. Vou ser o fantasma do qual você não consegue se livrar. Você sabe, nunca vai se libertar da minha presença.
Seu livro preferido, a música que você costuma cantarolar enquanto toma seu banho, os restaurantes que você frequenta, sua camiseta mais bonita: nada mais são do que lembretes de que eu existo. E você vai conviver diariamente com a lembrança do que me fez. Da tristeza que causou.
O peso que carreguei não é nem metade do que você vai carregar de culpa. Eu não preciso - nem quero - me vingar. O preço que você vai pagar já é alto demais.
Estou saindo limpa do nosso caso. Você não. Nada vai apagar esse fato.
Antigo amor, tente largar essa culpa. Eu te perdoei (mesmo que eu saiba que, no fundo, você nunca vai se perdoar). Vai procurar um jeito de ser feliz e me deixa seguir com minha vida, mereço ser mais do que um fantasma. Eu não quero essa vingança.
domingo, 11 de novembro de 2012
Asfixia Nominal
Teu nome me vem a garganta implorando para se libertar
Não posso! Não vou. Não devo...
Deixo te passar
Mas teu nome continua lá a me sufocar.
A garganta dói de tanto me conter
E os olhos ardem das lágrimas que não deixei descer.
Errante
Estou por toda parte, sou tudo e nada ao mesmo tempo. Sou? Fui!(Jamais) serei...
Mas como fênix renasço do nada, de tudo que já fui um dia. Saio melhor, de cabeça erguida ciente do que que deixei de ser, mas sem noção do que hei de me tornar.
Tantas possibilidades, tantos caminhos a trilhar, mas nem um norte, seguer uma estrela para me guiar.
Resnascida e perdida, a entrada desse labirinto que é a vida. A cada curva uma surpresa, um beco sem saida ou encruzilhada à encarar.
Que será que me espera ao fim dessa jornada, que a nada parece levar?
Rien de plus...
Que cresci e não me arrependi.
Meias verdades que passei a distribuir.
Proclamando-as, jogando-as ao ventos
Para quem sabe alguém me ouvir
Se importar com o que eu tenho para contar.
Me iludi.
Quando achava que alguém viria me resgatar
Era o eco de meu próprio desespero
Que voltava para me assombrar.
Ribombava em minha fortaleza
Abalando-me inteiramente.
Soterrando o que sobrara de mim.
Virei pilha de destroços.
Voltei a ser nada para você.
Voltastes a me esquecer.